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ESTANTES 2013-2015

CONSULTA ~ LEITURA ~ DIVULGAÇÃO

ESTANTES 2013-2015

CONSULTA ~ LEITURA ~ DIVULGAÇÃO

cs03|jan14| Espuma Evanescente ~ VÍTOR GIL CARDEIRA

 

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Espuma Evanescente

 

Quando não falam em ti, apodreces.

Os dias passam e ocultas-

Na pequenez da solidão que ensombra

As palavras indiferentes.

A quem interessa a estrofe sem leitor,

A porta escancarada na parede esburacada?

Lembra-te do tempo sussurrado,

Indiferente, revolvendo a terra húmida

Onde latejam vermes inconfundíveis

Que fecundam as trevas. Ninguém 

navega sem conseguir entender as correntes

Que conduzem o devir. Ninguém se

Desconstrói quando o corpo resvala

Na ladeira que se ergue ante ti.

As ladeiras só existem na tua

Cabeça e o que procuras não está

Do outro lado da vida. Está aqui,

Junto às tuas mãos!

A outra margem só existe na penumbra

Do crepúsculo e mesmo assim

Só a acedes enquanto espuma

Evanescente. Espuma que encanta

Os que nunca se encontraram mesmo

Quando habitam vontades semelhantes

E percorrem veredas paralelas. Quando

Os olhares divergem do que realizas e és,

Da esteira difusa que cobre o passado

A que não podes voltar, reages

Como se a dor fosse uma impossibilidade

De regresso aos campos de restolho onde

O sexo convoca a inocência nas contendas

Do susto e do medo.

A ausência transforma-se num colapso de desejo,

Numa inusitada falência da vontade em

Penetrar o silêncio da realidade sarcástica.

O significado do ato envolve o que rejeita

A perplexidade, apodrece no tempo,

Na perdição que naufraga na escuridão e

Responde ao ego ausente.

Debaixo das nuvens moram os que não sabem saltar

Ao eixo nas noites eternas.