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25.04.20

Tapa-Esteiro

  Vários Autores 

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37° 7 0 N,  7° 39 0 W

        CanalSonora

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25.04.20

Apenas olhar é ver menos.

Só sentir é ler pouco.

Simplesmente escutar é ouvir nada.

Com tempo olhar é ver mais.

Deixar-se ficar a sentir é ler muito.

Atentamente escutar é ouvir o máximo.

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25.04.20

Tapa-Esteiro  ~ Rede  de cerco, colocada, fixa, sobre estacas cravadas no solo, para apanhar o peixe que corre na vazante da foz de um rio ou pequeno canal. Os peixes, que entre a baixa-mar e a preia-mar tenham penetrado na zona confinada pelo tapa-esteiro são recolhidos na maré seguinte.

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Tapa-Esteiro, recolhe textos e fotografias inéditos dos Vários Autores publicados  na  CanalSonora  entre 2013 e 2020.

 

00| Tapa-Esteiro ~ Jorge Jubilot

01| estação sem nome ~ Dário Agostinho

02|  Madre Fulian ~ Mario Rodríguez

03| um homem carrega uma janela ~ Luís Oliveira

04| O poema ~ Paulo Moreira

05| O bar ao fim da tarde ~ António José Ventura

06| Ao filho que nunca tive ~ Fernando Pessanha

07| Era como se estivessem ~ Maria Afonso

08| Em algum momento alguém ~ Fernando Cabrita

09| Roxxxy ~ Marco Mackaaij

10| o sol nasce ~ Barranova

11| Déjà Vu ~ Van S.a

12| A água parece fria ~ Vitor Gil Cardeira

13| Posta Restante ~ Pedro Jubilot                                        

14| Calendas inundadas ~ Dário Agostinho

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00 |  Jorge Jubilot ~ Tapa-Esteiro

25.04.20

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01 |  Dário Agostinho ~ estação sem nome

25.04.20

01 - Dário Agostinho.jpg

 

 

podes partir, podes deixar-me o nada que é o lugar de alguma coisa que se foi, que deixou de ser, mas teremos sempre aquela charneca ao entardecer quando a luz toda se confunde e a terra e o mar são um outro horizonte e a primeira estrela é a cintilação breve na ponta do farol que se acende. posso deixar de sentir o calor do teu corpo e o hálito doce da tua boca mas restará a suavidade fria que chega com o crepúsculo onde se aninham todos os cheiros de todas as ervas selvagens, as verdadeiras e as imaginárias. podem apagar-se os passos logo que os deixas na vereda mas dormirei sempre na casa fresca como se fora inverno e chovesse lá fora mas ao nascer do dia é verão afinal e corremos para a praia por entre pinheiros, carvalhos e eucaliptos lançando a inocência da nossa idade sobre a lâmina trémula do calor e a indisciplina do mar.

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02 |  Mario Rodríguez ~ Madre Fulian

25.04.20

02 - Mario Rodriguez.jpg

 

 

Los ojos grandes contenían el cielo de lluvias en los límites del Sahel. Aun el dolor del parto arrugaba sus labios. Era el cuarto que paría. A dos se los llevó el calor y la tercera se dejó ir la vida entre estertores y diarreas. Para éste había guardado un tarro de nono, lo que queda después de hacer la mantequilla con lo que queda después de amamantar a las vacas. De ninguna manera nombraba al cuerpecito que se removía entre manta y miedos. Y no lo nombraría si no era capaz de aguantar seis meses. El margen que la vida concede a los que quieran tener un nombre.

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03 |  Luís Oliveira ~ um homem carrega uma janela

25.04.20

03 - Luís Oliveira.jpg

 

 

um homem carrega uma janela às costas. procura uma casa perfeita para aquela janela. a casa de sonho com uma paisagem imaginada na sua infância que se transformava até ao Infinito. no beiral, as aves cantavam até à exaustão o mortal renascimento das coisas. e, em cada nota uma breve fulguração de luz explodia na sombra das suas pálpebras. inquietando a pele queimada das mãos pelo Sol com o assombro do dilúvio. mas evaporavam-se tão rapidamente como surgiam. então, a serenidade, de novo, beijava suavemente o ventre da paisagem sonhada. por baixo da janela, a desordem das cores perfumava o quarto. extasiavam a carne com o seu mel. ao fundo, os murmúrios do mar entravam janela adentro como uma melancólica melodia de violinos. e a mente viajava como uma ave liberta até às cidades que dormiam no crepúsculo isento de substantivos. à volta dessa janela, a brisa batucava o seu ritmo. mas certo dia os ossos incendiaram-no com a volúpia da viagem. partiu carregando a janela dourada de sonho pelo mundo e só regressou anos mais tarde. quando o Outono se despia à luxúria do Inverno o homem que carregava a janela às costas pela rua fora encontrou uma casa magnífica com paredes brancas. o velho homem que  no entanto bombava super-novas no seu coração, afundou cuidadosamente a janela na parede. abriu a portadas ao espanto. mergulhou maravilhado na imensidão tenebrosa do silêncio.

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04 |  Paulo Moreira ~ O poema  

25.04.20

04 - Paulo Moreira.jpg

 

 

Fosse como fosse o poema não lhe saía da cabeça. Com ambas as mãos ocupadas com os pesados sacos de compras e uma longa caminhada pela frente, não sabia o que fazer. Não trouxera consigo papel e caneta para o escrever e temia que o fosse esquecer até casa. Devido a uma rara doença de que padecia, o esforço físico tinha em si o efeito de amnésia e tinha medo que tal lhe acontecesse naquele dia. Foi por isso que abandonou os sacos de compras à porta de um prédio e foi para casa o mais rápido possível para escrever o poema. É certo que o mesmo já foi incluído em mais do que uma antologia de Melhores Poemas do Séc. XXI. O aborrecido foi todo o alarido que se criou quando o ex-gestor bancário acusado de fraude bancária chegou a casa e pensou que se tratavam de sacos armadilhados para pôr fim à sua vida num atentado bombista.

Felizmente que a inspiração poética não parece ter consideração para com a má consciência de alguma alta finança.

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05 |  António José Ventura ~ O bar ao fim da tarde

25.04.20

05 - António José Ventura.jpg

 

 

  1. O bar ao fim da tarde no inverno. Ao longe a linha das ilhas, o mar depois das ilhas, a música. O horizonte tem o mar ao fundo, a cidade é branca, quebrada aqui e ali por novas casas de outras cores. Quase pôr-do-sol.

 

  1. A chuva vista através dos vidros, a água, a paisagem cinzenta. Foram-se as cores, os barcos estão imóveis. As bandeiras e as aves não batem as asas. O whisky e o gelo são mais amarelos no copo em cima da mesa, ao lado do livro, e dos quadros na parede.

 

  1. Primavera. Não há vento na esplanada, passam os carros vindos do mercado. O café sabe a manhã, os olhos a céu. O sul espreita pelas esquinas.

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06 | Fernando Pessanha ~ Ao Filho Que Nunca Tive

25.04.20

06 - Fernando Pessanha.jpg

 

 

Se lês estas palavras é porque as encontraste atiradas para esta folha de papel amarrotado, perdida na casa onde cresci e que haverias de herdar de mim. Encontro-me num espaço constantemente presente, onde já não cabem murmúrios, gemidos ou lamentações. À minha volta gravitam espectros de figuras lívidas, ligadas a tubos por onde é administrada infundada esperança. Quase todas têm o dobro da minha idade e se encontram acorrentadas a máquinas de oxigénio e suportes de soro. Outras, como eu, suportam a dor e contêm o choro com cocktails: doxorrubicina, dacarbazina e outros cujos nomes metem medo. E foi assim que me lembrei de ti. Procurei escrever-te, já que provavelmente, nunca nos encontraremos. Talvez seja esse o maior motivo de dor. O amor que não te poderei dar. Confesso que sonhei contigo, que te amei ainda antes da tua existência enquanto ideia. Fantasiei ter-te nos meus braços, fazer de ti um ser bom e justo, ou tudo o que eu não fui. Fantasiei as melodias das tuas primeiras palavras, o momento de sentar-te no colo e ensinar-te a premir as teclas do piano. Agora, que sinto a impossibilidade fluir no veneno que me corrompe as veias, nada me causa mais temor, mais dano. E não vale a pena pensar em dar tempo ao tempo, porque tempo é coisa que não tenho. Assisto, impotente, à rapidez atroz com que se me escapa, como grãos de areia que se me escapam por entre os dedos. Cerro os punhos antes que se evadam por completo e sinto que algo ficou. Serás tu?  …

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07 | Maria Afonso ~ Era como se estivessem

25.04.20

07 - Maria Afonso.jpg

 

 

Era como se estivessem enquadrados numa moldura. Focados, apesar de alguma neblina periférica. Como se a moldura fosse uma janela, ou a janela a própria moldura. Na cidade de inícios do século XX respirava-se uma atmosfera peculiar como só as cidades dessa época sabem exalar. Ela, sentada a uma mesa de madeira antiga com dois candelabros de cobre e duas velas vermelhas. A pilha de folhas e o pisa papéis em forma de flor denunciavam a sua paixão. A maneira de se dizer ela mesma. Ele, sentado numa poltrona verde-seco, atrás dela. Ligeiramente atrás. Folheava um atlas, como se procurasse os portos onde ambos ancorariam. Gostava de a ver escrever. Sentir o desmaiar da tinta na folha, os impulsos e os momentos estáticos. O olhar vago repentino que depressa se tornaria confluência de palavras expiradas. Ele pertença daquele espaço, a sentir-se na mão dela. O ar adocicado a convidar ao amor. Os transeuntes, que haviam parado de olhar estancado naquela tela, sabiam que as palavras a que ela dava vida poderiam explodir-lhes nas mãos. Ousaram lê-las nas entrelinhas da epiderme. Quando levantaram os olhos, na esperança de que a tela tomasse vida, a bruma inicialmente periférica havia invadido toda a moldura.

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08 |  Fernando Cabrita  ~ Em algum momento alguém

25.04.20

08 - Fernando Cabrita.jpg

 

 

Em algum momento alguém nos pedirá que falemos, quando nos aprouver o silêncio. Ninguém notará, salvo tu, meu amor, salvo tu, que esse silêncio prescreve os caminhos, os relâmpagos, o círculo do mundo onde assentarão o norte, o sul e o mais que se estenda sobre o vazio. Alguém, exibindo um crachá, uma estrela, um cartão do partido, o crisma de um deus qualquer, nos dirá o que poderemos dizer e o que poderemos calar. Alguém, tresandando autoridade, demandará: poéte, vos papiers! E não saberá, ninguém saberá, que nós, como a sombra de um deus, juntámos as águas do mar e resvalámos por infinitos abismos. E que vemos as extremidades da terra; tudo o que houve e haverá debaixo dos céus; e essa leveza do vento quando toca os teus cabelos. Em algum dia, vindo ou por vir, alguma voz bradará a ordem de que partamos, deixando atrás a serra e o litoral que dizíamos nosso, e as velhas árvores que nos viram nascer e morrer nossos pais, e antes deles seus pais, nossos avós. E talvez só um velho obscuro, ou uma ninfa esquecida numa fonte, ou um ermita despejado do mundo, recordem que fomos nós quem lançou os fundamentos da terra; e talvez desçam aos vales, a deixar-nos uma lágrima antiga e a cobrir de terra as nossas memórias impudentes.

Olhão, 2017

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09 | Marco Mackaaij ~ Roxxxy

25.04.20

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Destinatário: Criações do Abismo Lda.

Assunto: Robots sexuais

 

Exmos. Senhores,

 

Venho agradecer-vos a vossa Roxxxy. Há anos que o meu marido vagueava pela cidade à noite, disfarçado de inspector Clouseau. Também já falara em mudar a cor das lâmpadas no nosso quarto e abrir as cortinas, para se pôr de gabardine na varanda. Mas isso proibi. Preciso de ver bem sem ser vista quando arranjo as unhas. Por isso, a sua Roxxxy foi uma dádiva do céu. Antes de me deitar a ler na cama, ponho-a no programa rápido. Depois tiro-a da tomada, recebo o dinheiro do meu marido - que sempre foi de boas-contas - e apago a luz. Porém, tanta actividade ao meu lado reabriu-me o apetite, se me entendem. Não com o meu marido. É o pai dos meus filhos e o avô dos meus netos, mas tem a sensualidade de uma mala marroquina que engoliu um barril de cerveja - anda com a próstata numa desgraça, coitado. Por acaso comercializam George Cl000ney’s?

 

Com os meus melhores cumprimentos,

Uma esposa agradecida

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10 | BarraNova ~ o sol nasce

25.04.20

10 - BarraNova.jpg

 

 

o sol nasce, o olho abre, o dia cresce para novos rituais de passagem para a adultidade, adiada até ao limite do possível. correntes sem pressa, remos largados

ao sabor da maré, praias ancoradas na deriva, fogo-fátuo de madeira virgem húmida, poemas de largada e regresso,  à almofada, e à caixa de música

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11 | Van S. a ~ Déjà Vu

25.04.20

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Assim vai a tarde. chuvisca apenas, depois da tempestade de ontem. são 15h30, estão 17º, o vento sopra moderado de oeste. a aplicação localiza-nos no 1er arrondissement, pont des arts. o rio fica tomado de cores de açúcar mascavado. e mesmo assim se espelha. vale a pena perguntar quem somos – aquela pessoa nele reflectida? ou aqui, devemos  esperar  que o seu sentido varie no tempo e que a imagem siga na corrente alternada. A chave do amor lançada ao sena não (a)pagará senão esta romântica cena. enquanto esse metal corre na corrente, na rede, no (en)cadeado onde esta promessa se prende ficará a enferrujar, às mudanças nas estações ou intempéries das relações dos corações, cuore, couers, corazóns & hearts. mas assim creio não darás um passo (em falso) na iminência da ponte cair com o peso de todas estas paixões. Aqui, esperamos que sigam o seu desperdício na corrente contínua. num tempo em que se acumulam as datas dos dias marcados por tantos tipos de violência perpetrada em nome de coisas tão antigas e que ainda assim continuam incompreensíveis. Acendemos as velas cuja luz não chega para alumiar na escuridão devastadora que perpassa. sem querermos cair num discurso apocalíptico já demasiado explorado, é certo que cada vez mais a paz  precisa de uma oportunidade. Amamo-nos num luxo de clichés: rosas, champagne,  piaf, e Casablanca (‘we’ll always have Paris’) na tv cabo do hostel da rue mazarine. c’est la vie….

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12 | Vítor Gil Cardeira ~ A água parece fria

25.04.20

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Uma mulher magra desce a calçada íngreme e os jacarandás estão floridos. Roxas as árvores, melancólica a mulher. A mulher está só e o mundo gira ao contrário. Os pés colam-se nas pedras dispostas geometricamente. Paralelepípedos de uma rua igual a tantas outras e diferente como tantas outras. Pés que a calçada prende e ilumina. O mar está próximo e os pássaros estão felizes por isso. Tão felizes que viajam como se não estivessem poisados nas árvores. A mulher continua só, desce ainda mais e aproxima-se do mar que brilha no dia solarengo. Da orla que lambe a praia. Está longe a noite e perto o mar. É já na areia que a mulher magra caminha. Os sapatos ficaram para trás e as gaivotas afastam-se, temerosas, dos pés que escrevem na areia. Rescrevem sobre os caminhos que trilharam. Linhas cruzando o tempo perdido. Sobre as histórias que os caminhos tatuaram nas palmas dos pés. Não há nuvens no céu, e o mar parece cansado. A mulher mete o pé delicadamente na água e sente o frio a percorrer o corpo. A água parece fria mas a mulher sorri. 

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13 |  Pedro Jubilot ~ Posta Restante

25.04.20

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Na estação de correios para reclamar a correspondência que me era destinada mas não chegada às mãos, sequer aos olhos. Estava guardada na tranquilidade hemostática da postarestante. Há impreciso tempo depositada no silêncio de uma caixa, numa estante mais usada noutros tempos. No entanto, o zeloso funcionário, que ali era anterior ao século do ano carimbado, reconhecera naquele grupo de envelopes um fio condutor. E a caligrafia fazia querer que tinham sido escritas com muita dedicação, não que os tivesse lido, só o faria passado o prazo legal para lhe dar destino. As palavras que guardavam não se tinham cumprido, pois não tinham sido projectadas na retina do destinatário. Tenho em crer, disse, concluindo. Alcançou cuidadosamente a caixa de cartão. Deu-me o seu conteúdo com um olhar cúmplice, que soubesse já que o que ali estava escrito era algo pessoal, afectivo. Com cuidado coloquei-os no envelope acolchoado que comprei ali porta ao lado no balcão. Identifiquei-me, assinei e sai. A claridade sempre acutilante destas brancas horas algarvias pela manhã obrigam-me a usar óculos escuros. Entrei no primeiro café. Tentei organizar os postais por ordem cronológica através dos carimbos, à falta de datas, à falta de marcas, ou de quaisquer outros indícios no interior. Sem um itinerário sequencial os lugares descritos nas legendas ainda assim não retirariam intensidade às emoções fragmentárias que eu teria de compor nesses postais ilustrados, e depois fazê-los retornar ao remetente. 

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14 | Dário Agostinho ~ Calendas inundadas

25.04.20

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CanalSonora

25.04.20

                                                                              a  37°7′0″N, 7°39′0″W

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~ pequenos livros ~ grandes segredos

~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas ~

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    CS30 | digi~mai20 | Vários Autores  ~ Tapa-Esteiro

 © CanalSonora 2020

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